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Gestão de obras de sinalização

Como reduzir glosas e divergências na medição com o órgão contratante

Equipe Viaris8 min de leitura
Ilustração conceitual de um trecho de rodovia visto de cima, com três elementos abstratos convergindo para um ponto central e representando quantidade, qualidade e documentação.
A medição depende de três elementos ao mesmo tempo: quantidade executada, qualidade da execução e documentação que permita comprovar as duas.

A medição volta do órgão contratante com um item reduzido, e só então aparecem as perguntas: qual critério foi aplicado, de onde veio aquela quantidade, quem atestou o quê. Em sinalização viária, com equipes que mudam de trecho e serviço espalhado pela rodovia, reconstruir essa resposta semanas depois dá trabalho e nem sempre é possível. O caminho para reduzir esse espaço de divergência passa por conhecer o critério do contrato antes de executar, reunir evidências a cada medição e manter a fiscalização alinhada durante a obra. Nenhum método garante que glosas deixem de ocorrer, porque isso depende do contrato, do órgão e da própria execução.

Aviso: este conteúdo é informativo e não é parecer jurídico. Leia o edital, o termo de referência e o contrato, e consulte a assessoria jurídica antes de decidir sobre medição, glosa ou pagamento.

A medição combina quantidade, qualidade e documentação

Na rotina da obra, cada item medido costuma gerar três perguntas da fiscalização: a quantidade corresponde ao que foi executado, a execução atende à especificação e existe documentação que permita atestar uma coisa e outra. Quando uma das três falha, a discussão aparece. Uma quantidade correta sem registro que a sustente gera pergunta, e um registro bem organizado de um serviço fora da especificação também gera.

Por isso, reduzir divergências é menos uma questão de argumentar no fechamento e mais de produzir, durante a execução, o que a medição vai precisar.

O que depende do contrato e da norma

Para não misturar obrigação com recomendação, vale separar o que tem base contratual ou normativa. O que aparece nas demais seções é prática de gestão da obra e será indicado como tal. Nada aqui substitui a leitura do seu contrato.

  • Lei 14.133/2021: o manual do TCU orienta que forma e periodicidade da medição sejam fixadas previamente no termo de referência, e que prazos e métodos do recebimento provisório e definitivo constem de regulamento ou do contrato (art. 140, §3º). Detalhes em TCU, critérios de medição e de pagamento e TCU, recebimento definitivo.
  • Contratos do DNIT no programa BR-LEGAL 2: a Instrução Normativa nº 03/2026 condiciona o processamento da medição à execução conforme as especificações, exige o atesto da fiscalização e prevê o registro das implantações de sinalização no SUPRA ou em outro sistema do órgão, o que gera um Relatório de Execução que integra a medição.
  • Glosa parcial e nota fiscal: o manual do TCU, no capítulo sobre pagamento, reproduz a orientação de que a nota seja emitida pelo valor exato dimensionado pela fiscalização.

Três ressalvas importantes. A IN 03/2026 vale para esse programa federal e não se aplica automaticamente a prefeituras, estados ou concessionárias, pois cada órgão define seus critérios. Ela foi retificada em 18/05/2026, então confira a versão vigente no portal do DNIT. E as páginas do TCU são orientações à Administração, com exemplos de outros tipos de serviço, não regras automáticas para o seu contrato.

Conheça o critério de medição antes de executar

Depois que o serviço está no pavimento, o critério deixa de ser uma decisão e passa a ser uma cobrança. A primeira recomendação de gestão é ler, antes de mobilizar a equipe, o que o contrato diz sobre cada item de planilha: unidade e forma de aferição, periodicidade, o que a fiscalização precisa atestar, quais documentos acompanham a medição e quais parâmetros podem levar a desconto. Se algum ponto estiver vago, vale pedir esclarecimento pelos canais do contrato antes de executar, e não depois.

Uma matriz interna, cruzando item de planilha, critério de medição e evidência, ajuda a transformar essa leitura em rotina de campo. O quadro abaixo é uma ilustração do modelo, com campos de exemplo. Não representa um contrato real nem uma tela de sistema.

Item de planilha Critério de medição (conforme o contrato) Evidência a reunir Quem atesta
Exemplo: sinalização horizontal Unidade e forma de aferição previstas no contrato Memória de cálculo por trecho, registro diário do período, fotos rastreáveis Fiscalização, conforme o contrato
Exemplo: sinalização vertical Unidade e forma de aferição previstas no contrato Relação de locais implantados, fotos de antes e depois Fiscalização, conforme o contrato
Exemplo: item com registro em sistema do órgão Conforme norma ou contrato do órgão Comprovante de registro ou relatório, se exigido Fiscalização, conforme o contrato

As colunas de critério e de quem atesta devem ser preenchidas com o que o contrato de fato prevê. A matriz só é útil se vier do documento, e não da memória de quem já executou obra parecida.

Monte o dossiê de evidências a cada medição

A fiscalização faz sua própria apuração. Se a memória de cálculo da empresa for rastreável, fica mais simples comparar as duas e localizar onde a divergência começa. Como recomendação de gestão, o dossiê de cada medição pode conter:

  • memória de cálculo rastreável, com trecho, período, quantidade do período e acumulado;
  • registro diário das atividades do período, com produção, materiais e eventos;
  • registro fotográfico dos serviços, com data e local identificáveis, e georreferenciado se o contrato aceitar;
  • registros de materiais coerentes com as quantidades medidas;
  • comprovação de registro em sistema do órgão, quando o contrato ou a norma exigir.

O ponto mais frágil costuma ser a distância entre o que o encarregado registrou no dia e o que o escritório consolida no fim do período. Quando produção, materiais, eventos e fotos são registrados pelo encarregado no aplicativo durante a execução, o gestor tem material para conferir e extrair dados que apoiem a medição, em vez de reconstruir a obra a partir de papéis e mensagens. A exportação serve de base para o modelo do cliente, mas não substitui o atesto da fiscalização nem garante, por si só, a aceitação da medição.

Para organizar o período antes do envio, vale ler Boletim de medição: como organizar os dados antes de enviar.

Alinhe com a fiscalização durante a execução

Descobrir o critério da fiscalização só no fechamento da medição deixa pouco tempo para corrigir. Uma prática de gestão é combinar, no início e ao longo da obra, como cada item será verificado, quais evidências a fiscalização espera e como serão tratadas dúvidas de execução. Quando a verificação é feita por amostragem, como a IN 03/2026 prevê para a sinalização operacional, vale perguntar como a amostra é definida e como o resultado entra no cálculo.

O que for orientado em campo deve ficar por escrito: ata, registro no diário de obra se o contrato permitir, ofício ou outro meio previsto. Orientação verbal que não deixa rastro não ajuda na hora de discutir uma glosa. Antes de enviar a medição, uma revisão interna com a matriz em mãos tende a encontrar item sem evidência ou quantidade sem memória de cálculo enquanto ainda há tempo de corrigir.

Para os pontos específicos de sinalização horizontal, como tipo de marca, retrorrefletividade e lastro das quantidades, há o artigo Medição de sinalização horizontal: 5 pontos que podem gerar glosa ou disputa.

O que fazer diante de uma glosa parcial

A glosa parcial pede método, não reação. O roteiro abaixo mistura orientação de gestão com a indicação do manual do TCU sobre a nota fiscal, e o procedimento correto depende do contrato e do órgão.

  1. Peça a justificativa por escrito. Identifique item, quantidade, motivo e critério aplicado. Comparar com a sua memória de cálculo mostra onde está a diferença. Se o contrato prevê prazo ou canal para contestação, use-os.
  2. Separe a parcela incontroversa. Distinga o que o órgão aceitou do que está em discussão, para que o valor sem controvérsia não fique preso à disputa. Valide a forma de fazer isso com o jurídico e o financeiro, porque depende do contrato.
  3. Emita a nota pelo valor dimensionado. A orientação reproduzida no manual do TCU é de que a nota seja emitida pelo valor exato apurado pela fiscalização. É orientação do âmbito federal, e a aplicação ao seu contrato deve ser confirmada com as áreas contábil e jurídica.
  4. Conteste com documentos. A discussão sobre a parcela controversa segue pelos meios do contrato, apoiada no dossiê da medição.

Checklist interno (recomendação de gestão)

  • O critério de medição de cada item foi lido no contrato e registrado na matriz interna?
  • Há evidência definida para cada item, e ela está sendo gerada durante a execução?
  • A memória de cálculo é rastreável por trecho, período e acumulado?
  • As fotos têm data e local identificáveis, dentro do que o contrato aceita?
  • As orientações da fiscalização estão registradas por escrito?
  • A medição passou por revisão interna antes do envio?
  • A versão vigente da norma ou do contrato aplicável foi conferida?
  • Em caso de glosa, a justificativa foi solicitada por escrito e a parcela incontroversa foi tratada com orientação jurídica e contábil?

Próximo passo

Se a sua equipe ainda monta a medição a partir de papéis, fotos soltas e mensagens, o dossiê descrito acima exige muito esforço manual. O Viaris Obras reúne no aplicativo e no sistema web os registros de produção, materiais, eventos e fotos que o encarregado faz em campo, para que o gestor confira e extraia os dados que apoiam a medição. Para ver como isso se encaixa na rotina da sua operação, conheça o Viaris Obras e solicite uma demonstração.